quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Duvidem sempre de "finais felizes"

Não acredito em finais felizes, sempre achei que se a dada altura um episódio se pode chamar de “feliz” então não se trata do último episódio! Chamem-me pessimista, amarga, derrotista até, mas se pararmos todos para pensar o “Happy ever after…” não passa de uma utopia.

Vejamos, a Cinderela, por muito bonita e encantadora não possui a sofisticação que impera na realeza e não tardaria muito até que o Príncipe se aborrece-se com tamanha ignorância, de que iria um príncipe falar com uma empregada de limpezas? E o Romeu não se fartaria do dramatismo e tendências depressivas, suicidas até da sua Julieta? A Bela não acabaria por perceber que o Monstro não deve de facto nada a beleza? Aposto que castraria todas as tentativas da Bela sair de casa só por ciúme e insegurança!

Mas chega de contos de fadas, também temos exemplos no mundo real: 7 anos atrás um casal de gémeos siameses moçambicanos foi separado com sucesso graças ao Dr. Gentil Martins: um final feliz, anunciavam todas as televisões. Foi? Hoje os gémeos estão separados, com a família, na terra onde nasceram: Maputo, numa casa cedida pelo Governo, vivendo eles, os outros dois irmãos e os pais de um salário de “contínua” da mãe, pois o pai “gasta tudo fora de casa”, uma das crianças teve que mudar de sexo, e não tem tido o apoio clínico que seria necessário.

Foi sem dúvida feliz esse dia da separação, mas não foi um final, apenas mais um capítulo.

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