Pode-se pensar que está um "e" onde deveria estar um "ou", que o leitor não se iluda pois tal substituição foi propositada.
Quero a verdade e quero a consequência. Lembras-te quando nos conhecemos? Escolhes-te sempre a consequência e os restantes jogadores solidários com o teu nítido entusiasmo fizeram sempre o favor de me incluir nas tuas consequências. Sim, fui a tua consequência.
Com o primeiro beijo, ainda que tenha sido por imposição, impus a mim mesma que serias mais um. Talvez devesse ser castigada não? Não foste mais um. Foste como que o primeiro.
E deixei-me levar assim, dormente... Na minha cabeça eras o meu amante atento e carinhoso, inventei desculpas para as tuas ausências, desculpas para os teus "combinamos amanhã?", desculpas para o telefone que teimava em não tocar... desculpas.
Até que um dia alguém me deu a mão. E não, não foste tu. Foi outro. E com com esse outro veio todo um sem número de sensações. Dava-me tudo o que tu não davas: uma presença. Um "estou aqui". Durante um ano esqueci quem foste. Não respondi às tuas mensagens - que também não abundavam -, escondi-me em casa quando resolves-te que me querias ver uma última vez antes de me ir embora. Sim, eu estava em casa nesse dia.
Vi quase com indiferença a tua nova vida amorosa.
Até que esse outro me largou a mão, as tuas também foram largadas e resolvemos uma noite descobrir o que tínhamos perdido em quase dois anos.
Descobri que tinha saudades tuas, que tens um íman poderoso que interfere implacavelmente com o meu campo magnético. Mesmo que eu me queira afastar algo me impede de o fazer. Bem, algo não será. Foram as tuas palavras. As mais cruéis que os amantes podem dizer: "Gosto de ti". Gostas de mim e "nunca deste tanto a ninguém". Mas "não me podes dar uma relação".
Com estas palavras trouxeste-me para uma nova realidade que eu desconhecia. Eu não sabia que gostavas de mim, nunca o senti. Porque é que o disses-te se há um "mas"? Não deveria haver "mas" quando se gosta. Deveria haver uma verdade e uma consequência. Eu pelos vistos ainda não tive direito nem a uma nem a outra.